"Tenho que ter paciência para não me perder dentro de mim: vivo me perdendo de vista. Preciso de paciência porque sou vários caminhos, inclusive o fatal beco-sem-saída" . Clarice Lispector in Um Sopro de Vida
sábado, 2 de julho de 2011
domingo, 26 de junho de 2011
Carta Anônima - Caio Fernando Abreu
Carta Anônima - Caio Fernando Abreu
Tenho trabalhado tanto, mas penso sempre em você.
Mais detardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira
assentada aos poucos e com mais força enquanto a noite avança.
Não são pensamentos escuros, embora noturnos. Tão transparentes
que até parecem de vidro, vidro tão fino que, quando penso mais
forte, parece que vai ficar assim clack! e quebrar em cacos, o
pensamento que penso de você. Se não dormisse cedo nem estivesse
quase sempre cansado, acho que esses pensamentos quase doeriam
e fariam clack! de madrugada e eu me veria catando cacos de vidro
entre os lençóis. Brilham, na palma da minha mão. Num deles, temuma borboleta de asa rasgada. Noutro, um barco confundido com alinha do horizonte, onde também tem uma ilha. Não, não: acho que ailha mora num caquinho só dela. Noutro, um punhal de jade. Coisasassim, algumas ferem, mesmo essas que são bonitas. Parecem filme,livro, quadro. Não doem porque não ameaçam. Nada que eu pensode você ameaça. Durmo cedo, nunca quebra. Daí penso coisas bobasquando, sentado na janela do ônibus, depois de trabalhar o diainteiro, encosto a cabeça na vidraça, deixo a paisagem correr, epenso demais em você. Quando não encontro lugar para sentar, oque é mais freqüente, e me deixava irritado, descobri um jeitoengraçado de, mesmo assim, continuar pensando em você. Meseguro naquela barra de ferro, olho através das janelas que, nessaposição, só deixam ver metade do corpo das pessoas pelas calçadas,e procuro nos pés daquelas aqueles que poderiam ser os seus. (A teus pés, lembro.). E fico tão embalado que chego a me curvar, certoque são mesmo os seus pés parados em alguma parada, algumaesquina. Nunca vejo você - seria, seriam? Boas e bobas, são ascoisas todas que penso quando penso em você. Assim: de repente aodobrar uma esquina dou de cara com você que me prega um susto dementirinha como aqueles que as crianças pregam umas nas outras.Finjo que me assusto, você me abraça e vamos tomar um sorvete,suco de abacaxi com hortelã ou comer salada de frutas em qualquerlugar. Assim: estou pensando em você e o telefone toca e corta omeu pensamento e do outro lado do fio você me diz: estou pensandotanto em você. Digo eu também, mas não sei o que falamos emseguida porque ficamos meio encabulados, a gente tem muito pudorde parecer ridículos melosos piegas bregas românticos pueris banais.Mas no que eu penso, penso também que somos meio tudo isso, nãotem jeito, é tudo que vamos dizendo, quando falamos no meupensamento, é frágil como a voz de Olívia Byington cantando Villa-Lobos, mais perto de Mozart que de Wagner, mais Chagal que VanGogh, mais Jarmush que Win Wenders, mais Cecília Meireles queNelson Rodrigues.Tenho trabalhado tanto, por isso mesmo talvezando pensando assim em você. Brotam espaços azuis quando penso.No meu pensamento, você nunca me critica por eu ser um poucotolo, meio melodramático, e penso então tule nuvem castelo seda perfume brisa turquesa vime. E deito a cabeça no seu colo ou vocêdeita a cabeça no meu, tanto faz, e ficamos tanto tempo assim que aterra treme e vulcões explodem e pestes se alastram e nós nempercebemos, no umbigo do universo. Você toca minha mão, eu tocona sua.Demora tanto que só depois de passarem três mil dias consigoolhar bem dentro dos seus olhos e é então feito mergulhar numaságuas verdes tão cristalinas que têm algas na superfície ressaltadascontra a areia branca do fundo. Aqualouco, encontro pérolas. Sei queé meio idiota, mas gosto de pensar desse jeito, e se estou em pé noônibus solto um pouco as mãos daquela barra de ferro para meucorpo balançar como se estivesse a bordo de um navio ou de você.Fecho os olhos, faz tanto bem, você não sabe. Suspiro tanto quandopenso em você, chorar só choro às vezes, e é tão freqüente. Caminhomais devagar, certo que na próxima esquina, quem sabe. Não tenho tido muito tempo ultimamente, mas penso tanto em você que na hora de dormir vez emquando até sorrio e fico passando a ponta domeu dedo no lóbulo da sua orelha e repito repito em voz baixa te amo tanto dorme com os anjos. Mas depois sou eu quem dorme e sonha, sonho com os anjos. Nuvens, espaços azuis, pérolas no fundodo mar. Clack! como se fosse verdade, um beijo.
sábado, 18 de junho de 2011
sábado, 4 de junho de 2011
Você quer um amor, custe o que custar?
Algumas pessoas, depois de passar um longo tempo sem namorar, entram numa espécie de redemoinho de ansiedade e desespero, pensando e agindo de modo visivelmente desesperado para conseguir engatar um encontro, um caso, qualquer que seja a forma de vínculo.
Claro que a maioria nem percebe essa dinâmica desvairada que adota. Muitos acreditam mesmo que estão apenas "lutando" por alguém que lhes interessa - e nada mais natural. Mas a questão é que sempre tem alguém, ou melhor, essas pessoas se apaixonam e se desapaixonam quase que semanalmente.
Há ainda aquelas que nunca ficam sem uma história de "amor". Estão sempre enroladas e sofrendo. E, assim, terminam assumindo como seus aqueles perfis sustentados pelo azar: "tenho o dedo podre para relacionamentos", "só atraio pessoas erradas", "não nasci para ser feliz no amor", entre outros.
E, apesar disso, praticamente afogadas na inconsciência e na falta de autoconhecimento, essas pessoas não se dão conta de que precisam parar, olhar para si mesmas, sentir e, sobretudo, refletir sobre algumas questões básicas: "o que eu realmente quero?", "o que estou buscando no outro que, talvez, devesse encontrar antes em mim mesma?", "por que será que não tem dado certo?", "será que devo mudar algo em mim para que os encontros sejam mais harmoniosos?".
Se você tem se sentido angustiado, carente e frustrado porque não consegue namorar, cuidado com a cilada do "vou conseguir, custe o que custar". Veja bem: quando você se predispõe a pagar qualquer preço por uma companhia, só pra poder "provar", seja para si mesmo ou para quem quer que seja, que você é capaz de atrair um par, é muito provável que a conta, isto é, o tal preço de custo seja bem mais alto do que você imaginava.
Relacionamento tem de ser caminho para a evolução e não para a involução, para a autodestruição, para a aniquilação de autoestima, segurança e amor próprio. Amor tem de ser gratuito, fluido, gostoso. Encontro tem de ser leve, divertido, motivador. Namoro tem de ser sinônimo de troca, reciprocidade, acréscimo, encantamento.
Mas tudo isso de bom só é possível quando você tiver noção do quanto merece, do quanto realmente pode ser feliz. E, assim, em vez de pagar para ter alguém em sua vida, compreenderá que se fôssemos comparar o entrelaçamento de dois corações com uma negociação, estaria mais para uma permuta: você dá o seu melhor e recebe do outro o melhor que ele tem a oferecer. Ninguém precisa pagar nada. Não há custos, a não ser o da aprendizagem.
Portanto, pare de atirar para todos os lados, desperdiçar os seus dias em função de um outro que você nem sabe se lhe quer. Desespero não atrai e sim espanta, assusta. Lembre-se: para atingir um alvo, você precisa de foco, precisão e conhecimento. E para conquistar um coração, você precisa de sensibilidade, cuidado, respeito e autopercepção. Se conseguir exercitar o melhor dessas artes, é bem provável que você pare de pagar -e muito caro- para viver encontros que mais servem para te roubar toda sua esperança do que para te fazer feliz de verdade...
Claro que a maioria nem percebe essa dinâmica desvairada que adota. Muitos acreditam mesmo que estão apenas "lutando" por alguém que lhes interessa - e nada mais natural. Mas a questão é que sempre tem alguém, ou melhor, essas pessoas se apaixonam e se desapaixonam quase que semanalmente.
Há ainda aquelas que nunca ficam sem uma história de "amor". Estão sempre enroladas e sofrendo. E, assim, terminam assumindo como seus aqueles perfis sustentados pelo azar: "tenho o dedo podre para relacionamentos", "só atraio pessoas erradas", "não nasci para ser feliz no amor", entre outros.
E, apesar disso, praticamente afogadas na inconsciência e na falta de autoconhecimento, essas pessoas não se dão conta de que precisam parar, olhar para si mesmas, sentir e, sobretudo, refletir sobre algumas questões básicas: "o que eu realmente quero?", "o que estou buscando no outro que, talvez, devesse encontrar antes em mim mesma?", "por que será que não tem dado certo?", "será que devo mudar algo em mim para que os encontros sejam mais harmoniosos?".
Se você tem se sentido angustiado, carente e frustrado porque não consegue namorar, cuidado com a cilada do "vou conseguir, custe o que custar". Veja bem: quando você se predispõe a pagar qualquer preço por uma companhia, só pra poder "provar", seja para si mesmo ou para quem quer que seja, que você é capaz de atrair um par, é muito provável que a conta, isto é, o tal preço de custo seja bem mais alto do que você imaginava.
Relacionamento tem de ser caminho para a evolução e não para a involução, para a autodestruição, para a aniquilação de autoestima, segurança e amor próprio. Amor tem de ser gratuito, fluido, gostoso. Encontro tem de ser leve, divertido, motivador. Namoro tem de ser sinônimo de troca, reciprocidade, acréscimo, encantamento.
Mas tudo isso de bom só é possível quando você tiver noção do quanto merece, do quanto realmente pode ser feliz. E, assim, em vez de pagar para ter alguém em sua vida, compreenderá que se fôssemos comparar o entrelaçamento de dois corações com uma negociação, estaria mais para uma permuta: você dá o seu melhor e recebe do outro o melhor que ele tem a oferecer. Ninguém precisa pagar nada. Não há custos, a não ser o da aprendizagem.
Portanto, pare de atirar para todos os lados, desperdiçar os seus dias em função de um outro que você nem sabe se lhe quer. Desespero não atrai e sim espanta, assusta. Lembre-se: para atingir um alvo, você precisa de foco, precisão e conhecimento. E para conquistar um coração, você precisa de sensibilidade, cuidado, respeito e autopercepção. Se conseguir exercitar o melhor dessas artes, é bem provável que você pare de pagar -e muito caro- para viver encontros que mais servem para te roubar toda sua esperança do que para te fazer feliz de verdade...
domingo, 29 de maio de 2011
- Quem não se comunica, se trumbica! :: Rosana Braga ::
-
Sábio Chacrinha! Sua célebre assertiva merece ser repetida, especialmente quando o assunto é relacionamento! Afinal, não há amor à primeira vista ou atração fatal que resista a um casal que não consegue conversar, que não consegue falar sobre si, seus desejos e planos.
Outro dia, li numa revista que certo casal de famosos havia terminado seu relacionamento de cerca de dois anos por falta de assunto. E fiquei pensando sobre o que acontece com tantos casais que, depois de algum tempo juntos, parecem que já não sabem o que dizer, como dizer ou talvez até por que dizer qualquer coisa um ao outro.
Partindo do princípio de que amor é sinônimo de intimidade e cumplicidade, creio que seja praticamente condição sine qua non que o casal troque confidências, confie um no outro a ponto de lhe contar o que aconteceu de interessante no dia, entre outros detalhes para que o laço de afeto se fortaleça e se sustente...
Porém, para que essa comunicação exista, é preciso disponibilidade de ambos. O casal precisa querer manter um vínculo que é muito mais sutil e, não raro, mais forte que aquele que se consegue dividindo a mesma cama, a mesma mesa e o mesmo teto. Isso porque costumamos entrar no "piloto automático" e simplesmente deixar a vida rolar, dia após dia, sem nos darmos conta das escolhas que fazemos a cada palavra proferida, a cada olhar e até mesmo do silêncio que se instala sorrateiramente...
Acreditamos, ingenuamente, que o fato de dormirmos e acordarmos juntos todos os dias já é suficiente para garantir o relacionamento. E assim, milhares de casais vão levando a relação por 20, 30, 50 anos. Mas a que preço? À custa de quanto vazio, quanta tristeza, quanta mágoa?
Até os casais que se entendem muito bem sexualmente podem ter problemas na hora em que começam a conversar. Diante dos temas mais banais, terminam discutindo por bobagem, discordando um do outro por questões tolas, e isso nada mais é que a revelação indireta de que algo está mal resolvido entre eles. Algo não foi dito, não foi conversado, certamente.
O fato é o seguinte: em qualquer relacionamento, mas principalmente no amoroso, comunicação é essencial! Acredite! Quem não se comunica, se trumbica de verdade! Não tem saída! Não há paliativos! É preciso investir no diálogo. E se a grande questão for "como?", vou tentar ajudar...
Comunicação pode ser resumida de um modo muito simples, para que se comece a entender como é que a coisa funciona: um fala e o outro, nesse momento, precisa realmente escutar. Escutar com interesse, escutar com atenção, escutar com o coração aberto! E não escutar como a maioria de nós escuta, ou seja, já pensando no que vai responder, totalmente interessado em ter razão, em derrubar o argumento do outro, em provar que ele está errado!
Assim, minha gente, não há comunicação que dê resultado! Não há relacionamento que seja harmonioso! Não há conversa que acabe em conciliação e satisfação. Por mais que um pareça estar com a razão e o outro, equivocado, o final dessa dinâmica é sempre ruim. Porque a sensação que fica é de que conversar não adianta nada. De que nunca se consegue chegar a um consenso e falar, em última instância, é pura perda de tempo!
E assim, alimentando essa crença desastrosa, os casais vão se falando cada vez menos, se ouvindo cada vez menos e se sentindo cada vez mais sozinhos, mais descasados. O que antes era uma comunhão, uma parceria e uma troca, agora virou silêncio, saudade e solidão!
Se você quer mudar o rumo dessa história, sugiro que comece a ouvir. É, eu sei que você vai dizer que é o outro quem não o escuta, não lhe dá atenção e nunca está interessado no que você tem a dizer. Talvez seja mesmo, mas isso não importa agora! Se você realmente deseja recuperar a motivação desse amor, disponha-se a ouvir com todo o seu ser! Pare tudo e arrisque: "eu gostaria de saber, de verdade, como você gostaria que eu agisse, o que gostaria que eu fizesse para que você se sentisse mais feliz?". E ouça a resposta! Demore ela o quanto demorar, doa o quanto doer, escute a resposta!
Certamente, virão críticas, acusações, ressentimentos passados, sujeiras serão retiradas debaixo do tapete e você sentirá vontade de se defender inúmeras vezes. Mas não faça isso! Agora não é o momento! Agora é hora de ouvir atentamente tudo o que o outro tem a dizer. Esteja interessado realmente em saber o que você tem feito, dia após dia, que o tem magoado tão profundamente. E, mais do que isso, esteja realmente disposto a fazer diferente, pelo bem dessa relação, pelo bem do amor!
Fácil? Com certeza, não! Mas é a sua única chance, caso queira fugir das velhas e conhecidas "soluções-relâmpago", isto é, o que a maioria das pessoas fazem: ou fingem que nada está acontecendo e vão empurrando a relação com a barriga, conformando-se anos a fio de que casamento é assim mesmo. Ou trocam de parceiro, separam-se e se casam de novo, numa ilusão insana de que desta vez vai dar certo!
Pode até ser que dê, mas se der, eu posso apostar todas as minhas fichas de que, desta vez, houve diálogo e a comunicação foi soberana! Caso contrário, sinto em lhe informar: vai se trumbicar de novo!!!
Outro dia, li numa revista que certo casal de famosos havia terminado seu relacionamento de cerca de dois anos por falta de assunto. E fiquei pensando sobre o que acontece com tantos casais que, depois de algum tempo juntos, parecem que já não sabem o que dizer, como dizer ou talvez até por que dizer qualquer coisa um ao outro.
Partindo do princípio de que amor é sinônimo de intimidade e cumplicidade, creio que seja praticamente condição sine qua non que o casal troque confidências, confie um no outro a ponto de lhe contar o que aconteceu de interessante no dia, entre outros detalhes para que o laço de afeto se fortaleça e se sustente...
Porém, para que essa comunicação exista, é preciso disponibilidade de ambos. O casal precisa querer manter um vínculo que é muito mais sutil e, não raro, mais forte que aquele que se consegue dividindo a mesma cama, a mesma mesa e o mesmo teto. Isso porque costumamos entrar no "piloto automático" e simplesmente deixar a vida rolar, dia após dia, sem nos darmos conta das escolhas que fazemos a cada palavra proferida, a cada olhar e até mesmo do silêncio que se instala sorrateiramente...
Acreditamos, ingenuamente, que o fato de dormirmos e acordarmos juntos todos os dias já é suficiente para garantir o relacionamento. E assim, milhares de casais vão levando a relação por 20, 30, 50 anos. Mas a que preço? À custa de quanto vazio, quanta tristeza, quanta mágoa?
Até os casais que se entendem muito bem sexualmente podem ter problemas na hora em que começam a conversar. Diante dos temas mais banais, terminam discutindo por bobagem, discordando um do outro por questões tolas, e isso nada mais é que a revelação indireta de que algo está mal resolvido entre eles. Algo não foi dito, não foi conversado, certamente.
O fato é o seguinte: em qualquer relacionamento, mas principalmente no amoroso, comunicação é essencial! Acredite! Quem não se comunica, se trumbica de verdade! Não tem saída! Não há paliativos! É preciso investir no diálogo. E se a grande questão for "como?", vou tentar ajudar...
Comunicação pode ser resumida de um modo muito simples, para que se comece a entender como é que a coisa funciona: um fala e o outro, nesse momento, precisa realmente escutar. Escutar com interesse, escutar com atenção, escutar com o coração aberto! E não escutar como a maioria de nós escuta, ou seja, já pensando no que vai responder, totalmente interessado em ter razão, em derrubar o argumento do outro, em provar que ele está errado!
Assim, minha gente, não há comunicação que dê resultado! Não há relacionamento que seja harmonioso! Não há conversa que acabe em conciliação e satisfação. Por mais que um pareça estar com a razão e o outro, equivocado, o final dessa dinâmica é sempre ruim. Porque a sensação que fica é de que conversar não adianta nada. De que nunca se consegue chegar a um consenso e falar, em última instância, é pura perda de tempo!
E assim, alimentando essa crença desastrosa, os casais vão se falando cada vez menos, se ouvindo cada vez menos e se sentindo cada vez mais sozinhos, mais descasados. O que antes era uma comunhão, uma parceria e uma troca, agora virou silêncio, saudade e solidão!
Se você quer mudar o rumo dessa história, sugiro que comece a ouvir. É, eu sei que você vai dizer que é o outro quem não o escuta, não lhe dá atenção e nunca está interessado no que você tem a dizer. Talvez seja mesmo, mas isso não importa agora! Se você realmente deseja recuperar a motivação desse amor, disponha-se a ouvir com todo o seu ser! Pare tudo e arrisque: "eu gostaria de saber, de verdade, como você gostaria que eu agisse, o que gostaria que eu fizesse para que você se sentisse mais feliz?". E ouça a resposta! Demore ela o quanto demorar, doa o quanto doer, escute a resposta!
Certamente, virão críticas, acusações, ressentimentos passados, sujeiras serão retiradas debaixo do tapete e você sentirá vontade de se defender inúmeras vezes. Mas não faça isso! Agora não é o momento! Agora é hora de ouvir atentamente tudo o que o outro tem a dizer. Esteja interessado realmente em saber o que você tem feito, dia após dia, que o tem magoado tão profundamente. E, mais do que isso, esteja realmente disposto a fazer diferente, pelo bem dessa relação, pelo bem do amor!
Fácil? Com certeza, não! Mas é a sua única chance, caso queira fugir das velhas e conhecidas "soluções-relâmpago", isto é, o que a maioria das pessoas fazem: ou fingem que nada está acontecendo e vão empurrando a relação com a barriga, conformando-se anos a fio de que casamento é assim mesmo. Ou trocam de parceiro, separam-se e se casam de novo, numa ilusão insana de que desta vez vai dar certo!
Pode até ser que dê, mas se der, eu posso apostar todas as minhas fichas de que, desta vez, houve diálogo e a comunicação foi soberana! Caso contrário, sinto em lhe informar: vai se trumbicar de novo!!!
domingo, 22 de maio de 2011
Seu amor não é correspondido? Pare de tentar encontrar os motivos...
:: Rosana Braga ::
Poucas situações na vida são mais angustiantes do que viver um amor não correspondido. No entanto, pouquíssimas são as pessoas que nunca experimentaram algo semelhante. Ou seja, amar e não ser amado é, em última instância, uma dor comum, embora bastante pessoal.
E por que será que ainda assim, sendo tão recorrente e fazendo parte da história de bilhões de seres humanos, continua sendo tão difícil lidar com o fato de que o outro não está a fim de continuar ou sequer de começar um relacionamento com a gente?
O fato é que aprender a lidar com a frustração da não correspondência de qualquer sentimento, especialmente dos mais intensos e profundos, é uma das mais duras e importantes lições de todos nós!
A começar pela capacidade de compreender que a razão de o outro não gostar de você da mesma forma que você gosta dele não tem a ver com quem você é exatamente. Ou seja, você certamente é alguém com qualidades suficientes para ser amado, entretanto, isso não é garantia para que a química de um encontro dê certo.
Quando falamos de amor, desejo e vontade, temos de considerar que sempre existe mais de uma parte envolvida. É a máxima do dito popular que avisa que quando um não quer, dois não brigam ou não se amam, como é o nosso caso. Mas os motivos pelos quais uma pessoa não corresponde ao seu amor estão longe de ser passíveis de explicação lógica.
Amamos e não amamos por motivos inefáveis, que não estão ao alcance das palavras ou da inteligência racional. Talvez isso explique por que, algumas vezes, amamos aquela pessoa não aprovadas pela maioria de nossos amigos e familiares. Ou por que, noutras vezes, não conseguimos amar aquela que todos dizem ser a ideal para nós, a perfeita.
Esta é a prova de que ficar se consumindo na tentativa de compreender, logicamente, por que o outro não está correspondendo nosso amor é inútil, ineficiente e só nos faz doer mais ainda. Esta é a prova, sobretudo, de que não ser amado por determinada pessoa não é um veredito, não é uma sentença, não é o fim.
Talvez, muito pelo contrário, seja apenas o começo. Seja a nossa grande chance de descobrir uma alternativa melhor. Sim, porque não prevemos o futuro. Não sabemos o que virá. E por isso mesmo deveríamos confiar um pouco mais no fluxo do Universo.
Certamente, já aconteceu com você de considerar um acontecimento péssimo, desastroso e, depois de alguns dias ou meses, ter se dado conta de que algo muito lindo, maravilhoso e imperdível só aconteceu porque havia o espaço deixado pelo que havia considerado um desastre.
Enfim, não ser correspondido hoje é ruim, eu sei. Dói. E por isso mesmo, sugiro que você chore, esperneie, desabafe e faça o que for possível, dentro das opções saudáveis, de preferência, para esgotar sua frustração e se sentir melhor. Porém, não se destrua, não se acabe e não tome as circunstâncias como determinantes de sua infelicidade.
Permita-se viver um dia de cada vez, apostando que cada noite que chega significa que você está mais distante da tristeza e mais perto de uma nova alegria. Permita-se acreditar que o sol voltará a brilhar em seu coração mais cedo do que você imagina... E siga o fluxo da existência.
E, assim, certo de que ser correspondido é tão possível quanto não ser, e que essa é uma verdade que vale para todas as pessoas deste planeta – até mesmo para aquelas consideradas as mais lindas e sensuais – levante-se, lave esse rosto, vista-se como se fosse celebrar e faça um brinde a si mesmo, ao amor e ao melhor que está por vir!
E por que será que ainda assim, sendo tão recorrente e fazendo parte da história de bilhões de seres humanos, continua sendo tão difícil lidar com o fato de que o outro não está a fim de continuar ou sequer de começar um relacionamento com a gente?
O fato é que aprender a lidar com a frustração da não correspondência de qualquer sentimento, especialmente dos mais intensos e profundos, é uma das mais duras e importantes lições de todos nós!
A começar pela capacidade de compreender que a razão de o outro não gostar de você da mesma forma que você gosta dele não tem a ver com quem você é exatamente. Ou seja, você certamente é alguém com qualidades suficientes para ser amado, entretanto, isso não é garantia para que a química de um encontro dê certo.
Quando falamos de amor, desejo e vontade, temos de considerar que sempre existe mais de uma parte envolvida. É a máxima do dito popular que avisa que quando um não quer, dois não brigam ou não se amam, como é o nosso caso. Mas os motivos pelos quais uma pessoa não corresponde ao seu amor estão longe de ser passíveis de explicação lógica.
Amamos e não amamos por motivos inefáveis, que não estão ao alcance das palavras ou da inteligência racional. Talvez isso explique por que, algumas vezes, amamos aquela pessoa não aprovadas pela maioria de nossos amigos e familiares. Ou por que, noutras vezes, não conseguimos amar aquela que todos dizem ser a ideal para nós, a perfeita.
Esta é a prova de que ficar se consumindo na tentativa de compreender, logicamente, por que o outro não está correspondendo nosso amor é inútil, ineficiente e só nos faz doer mais ainda. Esta é a prova, sobretudo, de que não ser amado por determinada pessoa não é um veredito, não é uma sentença, não é o fim.
Talvez, muito pelo contrário, seja apenas o começo. Seja a nossa grande chance de descobrir uma alternativa melhor. Sim, porque não prevemos o futuro. Não sabemos o que virá. E por isso mesmo deveríamos confiar um pouco mais no fluxo do Universo.
Certamente, já aconteceu com você de considerar um acontecimento péssimo, desastroso e, depois de alguns dias ou meses, ter se dado conta de que algo muito lindo, maravilhoso e imperdível só aconteceu porque havia o espaço deixado pelo que havia considerado um desastre.
Enfim, não ser correspondido hoje é ruim, eu sei. Dói. E por isso mesmo, sugiro que você chore, esperneie, desabafe e faça o que for possível, dentro das opções saudáveis, de preferência, para esgotar sua frustração e se sentir melhor. Porém, não se destrua, não se acabe e não tome as circunstâncias como determinantes de sua infelicidade.
Permita-se viver um dia de cada vez, apostando que cada noite que chega significa que você está mais distante da tristeza e mais perto de uma nova alegria. Permita-se acreditar que o sol voltará a brilhar em seu coração mais cedo do que você imagina... E siga o fluxo da existência.
E, assim, certo de que ser correspondido é tão possível quanto não ser, e que essa é uma verdade que vale para todas as pessoas deste planeta – até mesmo para aquelas consideradas as mais lindas e sensuais – levante-se, lave esse rosto, vista-se como se fosse celebrar e faça um brinde a si mesmo, ao amor e ao melhor que está por vir!
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